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Em 2016, comemorou-se o 130º aniversário da assinatura da Convenção luso-francesa que delimitou os territórios das duas potências. Nesta sequência, Ziguinchor (e a região de Casamansa, lacto sensu) passa do domínio colonial português para o francês. Para comemorar o acontecimento histórico decorrente da Conferência de Berlim (1884/85), em dezembro de 2016, o Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Línguas, Literaturas, Artes e Culturas da Universidade Assane Seck (Ziguinchor – Senegal) organizou o I Colóquio Internacional A Presença Portuguesa em Ziguinchor: História, Património Material e Imaterial.

Ao longo de vários séculos de presença portuguesa na região e de lutas entre possessões europeias pelo controlo dos entrepostos comerciais da província de Casamansa, foi produzido um substancial conjunto de textos descritivo-narrativos. Com efeito, existem textos, publicados e/ou inéditos, portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e holandeses que olham para esta parte do mundo e a descrevem. Normalmente enquadrados no género da literatura de viagens, o conhecimento destes documentos é fundamental para diferentes áreas do Saber porquanto saíram do punho de autores com diferentes formações: uns marinheiros, outros pilotos, missionários, comerciantes, simples viajantes ou cientistas, que lançaram olhares e a sua atenção sobre aspetos do modus vivendi das populações locais desta costa.

Estes diferentes textos retiveram aspetos diferenciados da região de Casamansa. Por conseguinte, todo este material é uma fonte de conhecimento extraordinária e indispensável para (re)construir uma outra narrativa sobre as sociedades africanas e a sua evolução. O estudo dos diferentes textos produzidos em diferentes línguas é, por isso, da máxima importância para a reescrita da história do macro espaço denominado pelos portugueses de “Guiné do Cabo Verde” e que, ao longo do tempo, assumiu outras (muitas) designações.

Nesta medida, o II Colóquio Internacional A Presença Portuguesa em Ziguinchor: Memórias e Patrimónios visa dar continuidade aos trabalhos iniciados em 2016 e, como tal, apresentar-se-á como um espaço de debate multi e interdisciplinar que pretende revisitar a história, a herança cultural portuguesa e as dinâmicas que a mantêm viva.